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Livro de Visitas
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A memória deste Livro de Visitas
Reunimos aqui as mensagens publicadas no antigo Livro de Visitas da ECCLESIA. Integradas às contribuições mais recentes, elas preservam a memória do nosso portal e o testemunho daqueles que nos acompanham ao longo de tantos anos na internet.
Digníssimo Padre André, em outubro de 2005, realizei o
grande sonho de minha vida, a saber, uma viagem à pátria-mãe da ortodoxia
bizantina (Grécia expandida, algumas de suas ilhas importantes, mais Trácia,
Capadócia e Sudoeste da Anatólia, estas últimas localidades hoje pertencentes
à Turquia). Foi emocionante adentrar a magnífica basílica de Aghia (Santa
Sabedoria), em Istambul (antiga Constantinopla, segunda Sé Cristã em
hierarquia honorífica) e visitar os arredores da igreja de Hagia Irene (hoje
parte integrante do suntuoso Palácio Topkapi, dos antigos sultões otomanos e
outrora residência dos patriarcas bizantinos). A antiga Constantinopla se
estendia pelo bairro hoje chamado Sultanahmet (pronuncia-se "Sultanâmet"),
que equivale à parte histórica da cidade, onde se encontram as monumentais
igrejas de Santa Sophia, Santa Irene, restos do hipódromo de Bizâncio, as
Colunas de Teodósio e de Constantino, o Grande Bazar, o Bazar das
Especiarias, bem assim o aqueduto romano de Valens, além de diversas
mesquitas réplicas de Santa, como as de Súleiman e Azul. Infelizmente, não
houve tempo hábil para que visitasse o Fanar, sede do Patriarcado Ecumênico,
um pouco distante da área central, a Noroeste de Istambul. No bairro de
Taksim, entretanto, mais próximo da área central histórica, além Chifre deOuro, há templos ortodoxos bizantinos, armênios e romano-católicos, tendo
conseguido adentrar alguns deles. Todos belíssimos, denotando o amor e a
perseverança dos poucos cristãos turcos (um por cento, e na maioria
descendentes de estrangeiros) ao cristianismo universal. Descobri que a
cidade de Adrianopla hoje se chama Edirne, quase na fronteira com a Grécia,
bem assim que Nicéia - na Anatólia - é atualmente Iznik; já Calcedônia,
também na Istambul Asiática, é hodiernamente chamada Kadikóy, localidades
muito importantes na história do cristianismo, pois sediaram os oito primeiros
concílios ecumênicos da Igreja ainda indivisa. Seguindo viagem, conheci
também a Casa da Virgem Maria, em Éfeso (hoje, Kusadási - Anatólia,
Turquia), um santuário mariano em terras turcas, no qual residem dois
sacerdotes, um ortodoxo e outro católico-romano, além de religiosas de
ambas as igrejas. Nesse local, segundo a Santa Tradição de nossos pais
cristãos, Nossa Senhora teria passado os últimos anos de sua vida aqui na
Terra ao lado do Apóstolo João, a quem Cristo confiara Sua Santíssima Mãe
aos pés da Cruz. Não muito longe dali, na Ilha de Patmos (pertencente à
Grécia), conheci a gruta em que São João Evangelista escreveu o Apocalipse
(último livro do cânon neotestamentário), hoje uma capela magnífica e muito
bem cuidada por monges ortodoxos. Um pouco mais acima, no topo de um dos
mais altos montes do arquipélago de Patmos, está cravado o monastério de
São João o Teólogo, também ortodoxo-bizantino. Quanto à cidade de
Antioquia, antigamente pertencente à Síria, hoje integra a Turquia, quase na
fronteira com seu país de origem. Já Esmirna conserva o mesmo nome, até
hoje, bem assim Tarsus, todas hoje localidades turcas. Na Grécia, mais
precisamente em Atenas (capital), visitei a preciosíssima catedral dedicada à
Anunciação da Virgem Maria e assisti à Divina Liturgia celebrada pelo
Arcebispo Dom Cristodoulos, no domingo do dia 06 de novembro, das 9h às
11h30. Na entrada da catedral, há um monumento dedicado ao Arcebispo
Damasquinos, o qual fora assassinado pelos turcos enfurecidos, quando
invadiram a Grécia há anos atrás. Pude conhecer também a bela catedral de
São Dênis, da Igreja Latina Romana, freqüentada mais por estrangeiros e,
pasme V. Sa., filipinos que vivem na Grécia! Foram dias inesquecíveis, nos
quais tive a oportunidade de renovar minha fé na Grande Santa Igreja,
verdadeiramente Católica e Apostólica em sua raiz protomilenar, baluarte
incólume dos ensinamentos cristãos e dispensadora da santificação plena
através dos sacramentos. Obrigado, Jesus e Maria, por mais essa graça
abundante em minha vida! Por fim, em uma loja de ícones da Odos Adrianou
(Rua Adriano), a principal do bairro de Plaka, no coração de Atenas, conheci o
Sr. Georges, um brasileiro de origem grega ali radicado, muito simpático,
hospitaleiro e fiel cristão ortodoxo, do qual adquiri dois ícones (um de Cristo
Pantocrator e outro de Maria Panaghia, bentos por um sacerdote da catedral
ateniense), e que fez um comentário no mínimo INSTIGANTE acerca da
divisão da Igreja de Cristo em duas: romana (católica) e grega (ortodoxa). É
que, segundo ele, "no Oriente, o monarca bizantino quis se tornar Papa",
legislando para a Igreja Cristã e usurpando, com isso, um direito inalienável
do colégio episcopal; já "no Ocidente", em caminho inverso, "o Papa quis se
tornar monarca, reivindicando para si o comando absoluto da igreja e da
sociedade, espiritual e temporal". Esses fatores, segundo ele, são a raiz doamargo cisma que "enche de profundo pesar o coração de todo cristão". Que
possamos todos nós, católicos e ortodoxos, continuar UNIDOS, mais do que
nunca, na superação das divisões históricas pelo comum testemunho das
práticas e dos valores cristãos e, sobretudo, pela incessante oração.





